Alívio

Da angústia à alegria e ansiedade

Jovens de 12 à 17 anos com comorbidades são incluídos na vacinação contra Covid-19

Carlos Queiroz -

A luta pela imunização de jovens de 12 a 17 anos com comorbidades ganhou ontem um novo capítulo. A publicação do governo do Estado com os critérios para a vacinação deste grupo trouxe alegria e esperança aos pais e responsáveis que lutaram pela conquista. Municípios da Zona Sul já receberam as vacinas que serão usadas na imunização. Além deste público que começará a ser vacinado já na próxima semana, a prefeitura de Pelotas também anunciou a ampliação do cronograma para pessoas com 30 anos ou mais.

A funcionária pública Ednna Brum, 51 anos, não encontrou palavras para descrever seu sentimento ao saber que a filha Lívia Brum, 16 anos, será vacinada. Há um ano e meio afastada da rotina normal, a mãe conta que além de sindrome de down, Lívia possui outras quatro comorbidades, o que fez com que a família precisasse ter o cuidado redobrado durante a pandemia. Neste cenário, a esperança está na vacina contra Covid-19.

Ela conta que a expectativa aumentou quando viu que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) havia autorizado a aplicação do imunizante da Pfizer à jovens menores de 18 anos. Porém logo veio a decepção. Adolescentes com comordidades ou deficiência não estavam incluídos no Plano Nacional de Imunização (PNI). Ao ver uma matéria no jornal que falava sobre o assunto, Ednna conseguiu o contato da mãe que havia dado entrevista. Durante as conversas, ela descobriu que mais responsáveis estavam na mesma situação - em busca da imunização para os filhos. A partir daí, começou a participar de um grupo que tinha este objetivo.

Com o tempo passando e a imunização avançando, o medo aumentava de acordo com Ednna, já que a mãe foi percebendo uma diminuição das restrições, juntamente com os cuidados que deveriam ser tomados. Na contramão, a mobilização estava ganhando força com o envio de mensagens para deputados, e até mesmo influenciadores digitais, na tentativa de ganhar visibilidade. Porém, o resultado que tanto queriam ainda não havia sido alcançado.

"Vacina Pedro"

Com tanto esforço, a luta chegou até o poder público. Parlamentares da Câmara de Vereadores de Pelotas prestaram apoio a causa e foi realizada uma reunião com a prefeita Paula Mascarenhas (PSDB) e a secretária de Saúde do município Roberta Paganini. Na ocasião a chefe do executivo informou que só poderia incluir os jovens na vacinação se houvesse um respaldo do governo do Estado. Em junho, durante uma live, a secretária estadual de Saúde, Arita Bergmann, informou que a pasta estava tentando incluir o público como grupo prioritário.

Na noite de terça-feira, quando foi publicada a notícia de que os municípios iriam receber vacinas para imunizar este grupo, os responsáveis não contiveram a emoção. A família da Ednna e da Lívia recebeu com festa a decisão, como conta a funcionária pública. "O sentimento é tão forte que não consigo achar palavras para descrever. A gente já estava sem esperanças e quando a solução vem, tu quase não acredita mais, parece que chegamos no alto de uma montanha com esperança e alegria de que as coisas vão melhorar", comenta.

Ao descobrir que receberá a vacina, Lívia ficou emocionada e fez uma placa que será levada no dia da imunização. No papel está escrito "Vacina Pedro", simbolizando a preocupação da jovem de que toda família estará imunizada menos seu primo de 21 anos, que ainda não recebeu nenhuma dose. A angústia se transformou em ansiedade. "Falta pouco agora", finaliza Lívia.

Mesmo ainda sem uma data definida, a expectativa da prefeitura é que a imunização inicie na próxima semana. Para o poder executivo, a inclusão do grupo na imunização também era necessária. "A vacinação dos adolescentes com doenças pré-existentes é importante, pois é um público realmente vulnerável, em razão das comorbidades, e também será mais uma parcela da população que estará imunizada contra a Covid-19", afirmou a secretária de Saúde, Roberta Paganini.

A imunização será feita em duas doses com o prazo máximo de 12 semanas para a conclusão do esquema vacinal. Mesmo ainda não incluso no Plano Nacional de Imunização, a vacinação entrou no Plano Estadual de Vacinação contra a Covid-19 do Rio Grande do Sul.

Mais vacinas para a Zona Sul

Para realizar a imunização dos adolescentes com comorbidades, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) distribuiu ontem 2.718 doses da vacina Pfizer aos municípios da Zona Sul. A remessa será utilizada na imunização deste grupo. Pelotas e Rio Grande foram as cidades que mais receberam vacinas. 1.032 e 678 doses respectivamente. Além desse imunizante, a SES também distribuiu um novo lote de CoronaVac e AstraZeneca que serão utilizadas na aplicação da primeira dose ao público geral.

Com a previsão de chegada desta remessa, a prefeitura anunciou na última terça-feira um novo cronograma de vacinação ampliando a faixa etária, dando continuidade ao processo de imunização no município. O grupo que inclui pessoas com 31 e 30 anos receberá a primeira dose do imunizante a partir desta sexta e sábado. A exemplo do que já vem sendo realizado, as primeiras ações serão realizadas no sistema drive-thru no Centro de Eventos e depois a aplicação segue nos bairros.


Fique atento ao cronograma de vacinação em Pelotas

Drive-thru das 9h às 17h no Centro de Eventos

Sexta-feira: 1º dose para pessoas com 31 anos ou mais.
Sábado: 1º dose para pessoas com 30 anos ou mais.
*Documentação: Carteira de identidade, comprovante de residência e CPF ou Cartão SUS.
Nos bairros das 10h às 15h
Quinta-feira (22): 1º dose para pessoas com 32 anos ou mais
*Documentação: Carteira de identidade, comprovante de residência e CPF ou Cartão SUS.

Sexta-feira: 2ª dose para quem recebeu a 1ª dose em 11 e 12 de maio
* deficientes permanentes com BPC de 59 a 54 anos
* pessoas com comorbidades definidas de 59 a 54 anos
* paciente com Doença Renal Crônica de 18 a 59 anos
* pessoas com Síndrome de Down de 18/59 anos
Segunda-feira (26): 2ª dose para quem recebeu a 1ª dose em 13 e 14 de maio
* deficientes permanentes com BPC de 59 a 40 anos
* pessoas com comorbidades definidas de 59 a 40 anos
*Documentação 2ª dose: Carteira de Vacinação para comprovar a 1ª dose e documento de identidade
Endereço dos pontos nos bairros:
- Pelotas Parque Tecnológico (Areal)
- Colégio Pelotense - Ginásio (Centro)
- União Gaúcha (Cohab Tablada)
- CTG Os Farrapos (Santa Terezinha)
- Associação Rural - Casa da Amizade (Três Vendas)
- Comunidade Católica Nossa Senhora de Lourdes - salão da igreja (Balneário dos Prazeres)
- Paróquia São José (Fragata)
Serviço de Assistência Especializada (SAE), das 9h às 17h
Quinta-feira: 2ª dose para quem recebeu a 1ª dose em 11 e 12 de maio para pessoas com HIV e Aids de 59 a 40 anos
*Documentação 2ª dose: Carteira de Vacinação para comprovar a 1ª dose e documento de identidade


E quem perdeu os mutirões?

Aqueles que não puderam comparecer nas datas de vacinação dentro do cronograma, podem procurar o Laboratório Municipal localizado na rua Lobo da Costa, 1.774 e funciona das 13h30min às 17h, de segunda a sexta-feira.

Podem se dirigir ao local: idosos de 60 anos ou mais; profissionais de saúde; gestantes ou puérperas (até 45 dias do parto) com ou sem comorbidades; profissionais da educação da rede pública ou privada, de nível básico e do superior; caminhoneiros; pessoas em situação de rua; integrantes das forças de segurança e salvamento; trabalhadores dos transportes coletivos rodoviários urbanos e de longo curso; trabalhadores da limpeza urbana e resíduos sólidos; e pessoas com doenças crônicas e deficientes permanentes com ou sem o Benefício de Prestação Continuada (BPC) que perderam a aplicação da primeira dose.


Panorama da vacinação e internações
Vacinados com uma dose: 180.009 (52,7%)
Vacinados com duas doses: 75.355 (22,1%)
Ocupação de leitos: 54.3% dos 151 leitos disponíveis.

Fonte: Painel Covid-19 - Prefeitura de Pelotas

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